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Brasil um País que prejulga o negro pela cor da pele e não pela capacidade intelectual! – Por:Marcos Aurélio Gonçalves, Consultor Empresarial, MBA em Controladoria e Auditoria – FECAP/SP , Especialização em Gestão de Pessoas – EAD/SP e Graduado em Administração de Empresas – Universidade de Guarulhos (UNG)

Hoje vou descrever sobre um assunto que desagrada aos brasileiros que não querem encarar a realidade!

O Racismo na minha Vida e na sociedade em que vivo atualmente!

Aproveitando os 132 anos da Abolição da Escravatura no Brasil, que na verdade não foi extinta para grande parte da sociedade brasileira!

Eu não me julgo vítima desta sociedade hipócrita que faz uma segregação racial velada, pois não me sinto inferior psicologicamente.

Nasci e cresci numa cidade do interior de São Paulo, chamada Garça, onde por muitos e muitos anos, os negros não podiam frequentar dois clubes sociais da cidade.
O Garça Tênis Clube que era frequentado pela chamada Elite da cidade nos anos 60 e até início dos anos 80. O Grêmio que era frequentado pela classe média (que não sei dizer o que significava). Mas, dentro deste universo segregador, os jovens negros da cidade, frequentavam os clubes municipais e os bailes públicos. Eu desde de criança, sempre convivi com negros e brancos, os quais tenho amizade até hoje. Alguns deles, frequentei até suas casas, mas outros, os pais não permitiam essa mistura em seu convívio familiar, mas isso, nunca me abalou psicologicamente.

Me lembro que em 1983, como sempre fui uma pessoa diferenciada, consegui entrar em um escritório de contabilidade como office boy, fiquei durante 6 meses trabalhando nesta função. Me recordo, que sempre terminava os trabalhos, e ao invés de ir para casa, procurava aprender os trabalhos internos. Quando uma amiga, vendo minha curiosidade, me ensinou a escriturar o antigo Registro de Duplicata. Depois de alguns meses, ocorreu a saída de uma funcionária e me perguntaram se queria substituí-la, foi um misto de alegria e calafrio, pois a responsabilidade aumentaria e muito. Recebi o apoio da Contadora, e sem pestanejar aceitei prontamente o novo desafio.

A partir daí, terminei o ensino médio e fui fazer curso de contabilidade no Colégio Comercial.

Quantas vezes, ouvi da boca de alguns, que se errasse, iria para o tronco. Que por estar num escritório deveria pensar como os brancos, mas deixa para lá.
Uma outra situação vivida por mim, mas muito constrangedora e revoltante, foi quando num domingo abri o Jornal e vislumbrei uma vaga de Analista Fiscal Pleno numa multinacional alemã.

Decidi enviar o meu currículo, e sem muita esperança fui selecionado para entrevista numa agência de empregos de grande porte em Pinheiros.

Ao chegar, a recepcionista me disse, o senhor veio para alguma vaga de porteiro ou segurança?

Respirei fundo, e disse, não! Vim fazer uma entrevista com fulano de tal para vaga de analista Fiscal Pleno. Ela pediu para que aguardasse. Fiquei esperando uns 30 minutos. Aí veio uma senhora loura, e pergunta para ela? Estou aguardando um candidato para entrevistar para vaga de analista Fiscal. A recepcionista perguntou, por acaso é o Marcos Aurélio, ela olhou no papel e disse sim. Eu me levantei e disse sou eu. Foi como se tivesse visto um fantasma!

Fui para entrevista, me fez várias perguntas e muitas vezes tentando me desencorajar, mas disse, pode me aplicar os testes. Fiz todos, e sabia que havia ido bem, pois me perguntou: você teve uma boa base escolar e familiar, é um rapaz muito seguro. Pediu para que aguardasse um retorno até sexta-feira, a entrevista foi na quarta de manhã.

Na sexta-feira no final da tarde, liguei para perguntar, pois não havia recebido retorno, a pessoa que atendeu me informou, que os selecionados já tinham sido avisados. Não me dei por vencido.

Na segunda-feira de manhã, liguei no RH da empresa, e perguntei se havia uma vaga para Analista Fiscal, a moça muito educada me perguntou, esta vaga estava com uma agência em Pinheiros. Aí perguntei se poderia mandar o meu currículo para ela, pois tinha o perfil do anúncio. Ela me passou o e-mail pessoal dela e enviei.
Na terça-feira, logo após o almoço, ela me ligou dizendo que havia passado o currículo para a gestora da vaga, que gostou muito, e pediu para que eu fosse na dinâmica, marcada na empresa na quarta-feira de manhã. Pulei de Alegria.

Chegando lá, fui muito bem recebido, e a gestora me chamou na sala dela, e perguntou se não havia visto o anuncio na data da publicação. E agora, falo ou não falo? Decidi abrir o jogo.

Ela muito sensível, logo percebeu que havia algo errado. Ligou no RH, que pediu para a agência enviar o meu teste de imediato. O pessoal da Agência não entendeu nada, pois como eu poderia estar lá, se o meu processo não foi enviado? Estava numa sala com os demais candidatos, quando vi a senhora da agência passar com uma pasta e adentrar no RH. Passaram uns 20 minutos e fui chamado. Tremia igual vara verde. Aí a Gestora me pediu para sentar e entrou a cidadã com a funcionária do RH.

A senhora da agência, já foi falando, que havia ocorrido um equívoco, e que o meu teste foi ótimo e não poderia ter ficado fora do processo seletivo.
A gestora foi enfática, e disse que na opinião dela, era um caso de discriminação pura, e que seria a última vez que receberia vaga da sua área para recrutar, e que reportaria o fato a diretoria da empresa. Resumindo, fiz a dinâmica, os testes práticos, entrevista com o gerente de controladoria e acabei sendo contratado.
E só para enfatizar, eu era o único negro do processo seletivo.

Resido a 10 anos em Imperatriz-MA, onde os negros são segregados da sociedade. Vivem nas periferias, sem grandes oportunidades. Mesmo aqueles que possuem formação, não exercem suas funções, são diaristas ou balconistas. Muitos partem para prostituição ou para o crime. Alguns prestam concursos e tentam entrar no serviço público.

Os negros que possuem mais condição econômica e social, viram as costas para os seus irmãos de raça.
Hoje, trabalho com consultoria na área de Recursos Humanos, e vejo que a cada 10 funcionários do setor administrativo ou no atendimento das lojas, somente um é negro ou pardo.

Minha esposa, possui uma agência de empregos, e muitos empresários, pedem pessoas de boa aparência, ou seja, brancas. Isso quando não pedem fotos.
É nojento, mas aqui é assim.

Em imperatriz -MA, vivemos dois tipos de racismo:

Racismo institucional: menos direto e evidente, essa forma de discriminação racial ocorre por meios institucionais, mas não explicitamente, contra indivíduos devido a sua cor. São exemplos dessa prática racista as abordagens mais violentas da polícia contra pessoas negras e a desconfiança de agentes de segurança e de empresas contra pessoas negras, sem justificativas coerentes.

Racismo estrutural: menos perceptível ainda, o racismo estrutural está cristalizado na cultura de um povo, de um modo que, muitas vezes, nem parece racismo. A presença do racismo estrutural pode ser percebida na constatação de que poucas pessoas negras ou de origem indígena, não ocupam cargos de chefia em grandes empresas. A situação fica ainda pior, quando as ações ou constatações descritas são tratadas com normalidade.

Esse é o Brasil de Norte a Sul!

Contato: marcosppm93@gmail.com

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