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A força da formação executiva – Por : Vicente Ferreira, Doutor em Economia (IE/UFRJ), Mestre em Administração pelo COPPEAD/UFRJ, Coordenador do MBA Executivo do COPPEAD/UFRJ e Diretor Executivo do Parque Tecnológico da UFRJ.

Sabemos que a boa formação educacional, a competitividade das empresas e a pujança da economia de um país estão interligadas. Quão maior o investimento em educação, maiores os níveis de capacitação, produtividade e inovação das economias. Os economistas chamam isso de Capital Humano. Este efeito se intensifica na medida que se analisa níveis hierárquicos mais altos nas Organizações; quão melhor formados são seus gestores, maior a probabilidade de sucesso das Organizações, não importa se no primeiro, no segundo ou no terceiro setor da economia. A seguir apresento a explicação de alguém que leu seu primeiro texto sobre gestão há cerca de 40 anos atrás e se apaixonou pelos temas a ela relacionados.

Uma das coisas mais difíceis de se conseguir em qualquer grupo humano é o alinhamento. Garantir que todos os esforços apontem na mesma direção e sentido, sem perda de carga, é o Shangri-La de todo gestor. Isto já não é trivial em uma estrutura simples como uma start-up onde a comunicação encontra poucas barreiras, em uma organização complexa, como uma empresa de grande porte, beira a impossibilidade. Os mais puristas vão me pedir dados – já aviso que não os tenho – mas os mais vividos concordarão comigo: a falta de alinhamento é a maior fonte de desperdício de recursos em todos os multiversos organizacionais.

Dentro as causas naturais do não alinhamento – mais uma vez peço socorro aos mais experientes – são as falhas de comunicação as mais relevantes. As pessoas não conseguem se entender simplesmente porque não falam o mesmo idioma corporativo. O executivo, nascido e criado na área de marketing, tem o “marketês” como seu idioma, o outro, criado dentro dos muros da cidade de financiópolis fala “financies” e assim por diante. Tudo isso cria a Torre de Babel corporativa, onde todos falam, apertam as mãos – mesmo sem terem entendido o que foi dito pelos outros – e saem fazendo aquilo que acharam que o outro entendeu que ele tinha dito que iria fazer.

Um executivo formado em uma escola de gestão de primeira linha tem como principal característica ser um poliglota corporativo. Não importa a área funcional onde ele nasceu e viveu, ele consegue traduzir suas ideias para o idioma de seus colegas de outras áreas, consegue argumentar com eles, tem a possibilidade de conseguir alinhamento e, com alguma empatia, pode até chegar a obter comprometimento. Isto faz muita diferença. A consequência disso é a melhoria do ambiente organizacional, aumento de produtividade, melhoria dos processos, estímulo para que a tomada de decisões e investimentos financeiros sejam mais assertivos, potencializando os resultados da organização.

Outra questão onde a boa formação faz a diferença é o amadurecimento gerencial. Um gestor maduro é aquele que já foi exposto, diversas vezes, aos desacertos e riscos de uma análise precipitada e etnocêntrica de uma questão. Em uma Escola de Negócios voltada para o sucesso de seus egressos, ao longo de um MBA que adote metodologias que permitam a análise de situações e problemas reais enfrentados por empresas nos diversos mercados, o executivo tomará algo entre 80 e 100 decisões em segmentos diferentes, discutindo tais ações com executivos de outras áreas com visões diversas. Com isso, a sua sensibilidade de enxergar o panorama macro do negócio aumenta, tendo a vantagem de estar dentro de um ambiente absolutamente controlado. Na hora que ele “partir para o mundo real” a chance de fazer escolhas mais assertivas se eleva consideravelmente. Resumindo, ele adquire a competência do amadurecimento gerencial.

E essa competência junto com a capacidade de ser mais claro na comunicação, entendendo a todos, faz com que esse executivo naturalmente se destaque e ganhe posição de liderança dentro da organização. Até porque há, ainda, muitos executivos que falam bonito o “gerencies”, mas não têm a menor ideia ou conhecimento do que falam.

Para que qualquer coisa fique em pé precisa de três pontos de apoio (três pontos definem um plano……)  e minha exposição sobre o impacto da formação dos executivos na economia tem um terceiro ponto de apoio: a confrontação dos dogmas corporativos. Na vida real, quem se atém aos dogmas ainda acredita que o Universo gira em torno da Terra, que é plana e no centro dela fica a Cidade do Vaticano. Os dogmas corporativos – e como na religião, cada corporação tem os seus – cumprem o mesmo papel dos antolhos no semovente; eles não mudam a realidade, apenas impedem que ela seja vista. Enquanto para o jumento isto não é um problema porque existe alguém que enxerga o todo conduzindo a charrete, na gestão de uma organização significa a morte certa. A mudança ne concorrência, as novas preferências dos consumidores e as novas tecnologias simplesmente não serão visíveis até que seja tarde demais. Um executivo bem formado aprendeu a questionar sempre. Ele já aprendeu que mesmo os modelos mais aceitos se baseiam em premissas e que a qualidade das premissas precisa ser sempre monitorada.

Mas a consequência mais importante desta não conformidade com os dogmas é que este meu ex-aluno não se conforma com a falsa sensação de conforto que a redução das incertezas trazidas pelos dogmas proporciona, longe disso, ele vê com precisão as incertezas, aprende a monitorá-las, a dar a elas o devido peso na avaliação dos projetos, ou seja, ele faz corretamente o valuation. Além disso, livre dos antolhos, ele conseguirá inovar mais e melhor, se antecipando as mudanças do ambiente e entendendo que o seu planejamento deve ser uma trilha, uma visão de futuro e não um trilho. Caso contrário, ao se agarrar em uma estratégia construída para um mundo diferente, ele irá ser “devorado” pela realidade.

Para finalizar com uma frase feita que resume o que espero ter comunicado até aqui: As empresas são tão boas quanto as pessoas que trabalham nelas. Dificuldades para preencher vagas ou gestores mal treinados para seus desafios freiam o desenvolvimento. Se emprego, educação e crescimento econômico caminham juntos, bons quadros desenvolvem não só empresas, mas nações.

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