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Qual a atitude da sua organização com relação à riscos ? Por: Pedro C Ribeiro, sócio Stratech | RiskPerceptions, autor do livro Lições do Titanic sobre Riscos e Crises para Líderes

Uma era de volatilidade, incerteza e complexidade traz oportunidades, assim como riscos cada vez mais interdependentes e complexos.

Em tais ambientes boas práticas de gerenciamento de riscos e segurança, tornam-se essenciais para assegurar competitividade e mesmo a sobrevivência da empresa, sendo associadas a um melhor desempenho, valor de mercado e resiliência da organização.

No entanto, simplesmente implantar processos, sistemas e metodologias de gestão de riscos, apesar de necessário é, infelizmente, insuficiente. Isso se deve ao fato de que a eficácia, mesmo de processos e sistemas de riscos e segurança avançados e bem projetados, é em grande parte determinada pela cultura de riscos da organização.

A cultura de riscos influencia como uma organização percebe, identifica, compreende e age sobre riscos, incluindo os valores, atitudes e comportamentos que definirão como e de que forma, processos e técnicas de gestão de riscos e segurança serão realmente colocados em prática no dia a dia.

No entanto, apesar do avanço em normas e processos, o gerenciamento de riscos ainda tende a ser percebido, em muitas organizações, mais como uma obrigação ou burocracia a ser cumprida do que como um efetivo componente do sucesso, e que pode ser cumprida através do preenchimento de formulários ou implantação de software modernos. O raciocínio aqui é: “Se estamos com os formulários preenchidos, as informações “no sistema”, em compliance com a legislação, e sem problemas com a auditoria, podemos ficar tranquilos.

Russell Ackoff denominava estas práticas organizacionais de “A Dança Corporativa da Chuva”, como os rituais que povos primitivos realizavam para influenciar o volume de chuva durante os períodos de seca. Não tinham impacto no tempo, mas produziam um efeito terapêutico sobre os participantes.

Um outro componente importante que vai além dos processos e politicas oficiais declaradas é a segurança psicológica real dos colaboradores em se manifestar e serem realmente escutados sobre riscos e segurança.
Em várias organizações, mesmo detentoras de politicas de portas abertas e modernos sistemas formais de gestão de riscos e segurança, não raro presenciamos formas de punição psicológica velada aos colaboradores ou departamentos ‘portadores de más notícias’, rotulados como pessimistas ou criadores de problemas. Nestas organizações discordar, levantar a possibilidade de ocorrência de uma crise nas operações planos ou projetos da empresa, tende a disparar mecanismos de defesa tais como: Negação (“Isto não pode acontecer. Nunca aconteceu até agora”), minimização (“Você está criando uma tempestade em um copo d’água”), excesso de confiança e grandiosidade (“Nós somos a melhor organização neste setor…..somos certificados, temos os melhores sistemas de segurança , e estamos 100% em compliance “), idealização (“.. estamos instalando um novo sistema – ou contratando um novo gerente – que irá resolver todos os problemas”), e transferência (“Se isto acontecer, não será responsabilidade da nossa área, a culpa será do departamento X” … ou de qualquer outra entidade ).

Tais atitudes e comportamentos, quando incorporadas à cultura da organização, praticadas ou endossadas pela lideranças são prejudiciais ao engajamento e trabalho em equipe, à comunicação aberta e à colaboração entre os departamentos, fornecedores e clientes, incentivando a formação de silos departamentais, o silêncio corporativo e a complacência, tornando a empresa mais propensa à crises e desastres anunciados.

Pedro C Ribeiro, sócio Stratech | RiskPerceptions, autor do livro Lições do Titanic sobre Riscos e Crises para Líderes e de artigos e palestras sobre o tema apresentados em eventos da Academia de Liderança da NASA e publicados pela agência espacial norte-americana.

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