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VOE MAIS ALTO EM 2019 – Por: César Tucci – Especialista em Desenvolvimento Humano, Palestrante, Educador e Coach. Autor do livro Faz Sentido Pra você

Há muitos elementos que me encantam na fascinante relação entre o universo da aviação e os desafios que compreendem a administração de uma empresa, a gestão de pessoas, a condução de um time, a segurança no trabalho e o complexo conjunto de cuidados e saberes que envolvem o ato de liderar e empreender.

Assim como muitos idealizam seu primeiro voo, fixando-se apenas no lado glamuroso da experiência, sem a noção completa do intrincado elenco de competências humanas, avanços tecnológicos e fatores ambientais envolvidos, outros sonham ter seu próprio negócio ou chegar ao cargo de liderança em uma grande empresa, focando apenas nos aspectos sedutores da posição, inconscientes da magnitude da responsabilidade que compreende impactar a vida de outras pessoas.

COMECE COM UM PLANO EM MENTE

Todo voo se inicia tendo claros o ponto de partida e o ponto de chegada. Os comandantes seguem um plano de voo detalhado, com indicações da rota a percorrer, das altitudes a serem mantidas em cada trecho das aerovias e cartas aéreas que informam sobre os acidentes geográficos, por exemplo, que possuem até mesmo orientações bem definidas para o caso de uma arremetida. Ao comandante não falta nem a indicação de um aeroporto alternativo, caso o pouso esteja impedido no destino.
Se você quer crescer na empresa, precisa ter claro onde busca chegar e quais os caminhos disponíveis – o que deve incluir um Plano B.

Se você tem uma empresa, é fundamental definir sua missão, objetivos e metas – construir e disseminar por todos os níveis da organização o seu planejamento estratégico.

Seu time precisa ter a noção clara dos resultados que persegue e desenvolver maneiras de verificar sistematicamente se está caminhando na direção correta, corrigindo a rota, se necessário.

De nada adianta a velocidade quando se você está indo na direção errada.

ANALISE O CENÁRIO E NÃO PERCA DE VISTA OS INDICADORES

Antes de cada voo, a tripulação recebe informações sobre as condições climáticas desde o ponto de partida até o aeroporto de destino. Informações que são atualizadas constantemente, balizando as decisões do comandante da aeronave e dos controladores de tráfego aéreo, que oferecem suporte e monitoram o voo.
A formação de tempestades, a precipitação de chuva, o acúmulo de gelo, a velocidade dos ventos, são fatores que influenciam a qualidade do voo e a condução da aeronave.

Para avançar em sua carreira você precisa ter uma visão sistêmica da organização onde trabalha. Conhecer a estrutura e a cultura organizacional e alinhar-se a elas pode evitar muitas turbulências.

Da mesma forma, como empresário, para que sua empresa siga de maneira sustentável, é necessário conhecer profundamente o mercado em que atua, acompanhar os indicadores financeiros, monitorar tendências macroeconômicas, rever frequentemente seu posicionamento e não perder de vista quais são as oportunidades, as ameaças, seus pontos fortes e seus pontos a desenvolver. Antecipar-se às tempestades fará toda a diferença.

APRIMORE O TRABALHO EM EQUIPE

As empresas aéreas há muito tempo aprenderam a importância do trabalho em equipe e atuam fortemente sobre a qualidade do relacionamento entre os membros de cada tripulação.

Depois de alguns acidentes que poderiam ter sido evitados se a relação entre o comandante e o restante da tripulação fosse menos autoritária e mais sinérgica, elas investiram pesadamente no CRM – Crew Resource Management, que, sem diminuir a autoridade do comandante, trabalha principalmente a qualidade da comunicação entre todos os membros da tripulação, com reflexos positivos no processo decisório e na gestão de conflitos, reduzindo o nível de estresse, minimizando a insegurança ou excesso de confiança e produzindo respostas mais acertadas até mesmo nos episódios mais críticos.

No mundo de hoje aquele empregado que sabe trabalhar em equipe é muito valorizado. Mais do que isso, o colaborador precisa saber trabalhar em rede, comunicar-se bem, transmitir confiabilidade, saber fazer as perguntas certas, ser capaz de criar convergência e mobilizar recursos coletivamente mantendo o foco no interesse comum.

O líder salvador da pátria quase já não tem espaço. O bom líder respeita e desenvolve pessoas, dissemina conhecimento, alinha expectativas, sabe ouvir, valoriza opiniões, promove a integração, incentiva a participação, comanda sem perder a noção de que não obterá bons resultados sozinho.

O líder da sociedade em rede sabe que não faz sentido ser arrogante pois todos dependemos uns dos outros.

NAVEGUE NO NÍVEL DA INTERDEPENDÊNCIA

Stephen Covey, célebre autor americano, propõe uma escala de desenvolvimento humano que parte do estado de dependência, passa pelo da independência e atinge o ápice na interdependência.
A pessoa dependente não tem autonomia, depende da aprovação ou do aval do outro, não assume responsabilidades, frequentemente adota o papel de vítima, é insegura e carente. Precisa desenvolver-se, ser capacitada para avançar e conquistar a independência.

O líder que se fixou na dependência não cria sinergia, não desenvolve a eficácia de seu time, posiciona-se reativamente, favorece a política da bajulação e os jogos de poder.

Subindo um nível, o ser independente já é capaz de assumir o protagonismo em sua área de atuação, faz escolhas e responsabiliza-se por elas, desenvolve maior confiança, iniciativa e autonomia.

Quando excessivamente focado em si mesmo corre o risco de tornar-se centralizador, não empático e prepotente.

Geralmente é muito eficaz em nível individual, o que não quer dizer que seja um bom líder ou atue positivamente como membro de uma equipe.
O líder independente, quando egocêntrico, tem dificuldade de ouvir o outro, aceitar críticas, rever posições, e de reconhecer a contribuição alheia ou as sensíveis conexões da sociedade em rede.

Desta forma, ainda que obtenha bons resultados, corre o risco de não atingir o nível de sustentabilidade e de sinergia que uma organização requer.
Covey diz que vivemos em uma realidade interdependente e por isso somente o indivíduo que chega ao estado de interdependência consegue criar relações mais profundas, desenvolver verdadeiramente o potencial das pessoas, obter o melhor que uma equipe pode dar, ciente de que junto pode fazer mais do que isoladamente.
Atuando conscientemente sobre as interações interdependentes de uma empresa, o líder que chegou a este estágio de maturidade atua com extrema congruência, é capaz de inspirar pelo exemplo, gerar ampla sinergia e construir um time altamente eficaz, alcançando resultados sustentáveis e aderentes ao princípio de que toda relação deve trazer ganho para todas as partes.

Encontramos na aviação uma perfeita ilustração desta realidade interdependente – uma fascinante e intrincada rede de conexões que se inter-relacionam, que se apoiam mutuamente e operam como um sistema vivo de alta complexidade, em que subsistemas se interconectam e interagem, influenciando-se reciprocamente.

QUANDO FORÇAS POSITIVAS ATUAM EM CONJUNTO

Para que uma aeronave pesando toneladas desafie a lei da gravidade e cruze o espaço aéreo, voando com segurança do ponto A ao ponto B, vários agentes, muitos saberes e inúmeras forças são combinadas.

O avião em si já incorpora as mais significativas conquistas da ciência em seu projeto.
Além dos aspectos aerodinâmicos, as aeronaves modernas possuem sistemas inteligentes que analisam e interpretam informações continuamente, alimentados por radares, centenas de sensores, e múltiplas fontes, que incluem sinais enviados por outras aeronaves e os dados inseridos pela própria tripulação, por exemplo. São a resultante de décadas de pesquisas, experiências e dedicação de muitos estudiosos, visionários, cientistas, técnicos, empreendedores, investidores, engenheiros, etc.
A máquina é maravilhosa, mas não dispensa a manutenção sistemática e constante. Quem estuda os acidentes aéreos sabe o quanto é importante o trabalho anônimo dos mecânicos. Como na Fórmula 1, piloto e mecânico estão em lados diferentes de um mesmo processo em que se busca bom máximo desempenho e alta segurança.
Uma aeronave não é um pássaro voando isoladamente. Milhares de aviões cruzam os ares diariamente e há regiões que apresentam grande volume de tráfego e até mesmo congestionamento aéreo, dependendo das condições climáticas, por exemplo, cuja interferência não pode ser negligenciada.
Para que tudo ocorra dentro da normalidade, órgãos de controle de tráfego aéreo, em terra, monitoram e orientam os pilotos, coordenam os diversos voos simultâneos, operando muitas vezes sob forte pressão e grande estresse, cientes de que muitas vidas dependem de sua atuação.

LÍDERES TAMBÉM PRECISAM ATUAR EM HARMONIA
Na cabine de comando, a tripulação também é interdependente. Embora caiba ao comandante a palavra final, copiloto, engenheiro de voo e comissários podem e devem contribuir, cada qual em sua esfera de atuação, para uma viagem tranquila.
Na história dos acidentes aéreos verifica-se que alguns poderiam ter sido evitados com uma melhor interação e comunicação entre os membros de uma tripulação.
O comandante, como aquele líder interdependente que citamos, precisa manter a noção clara desta dinâmica e saber utilizar estes recursos e ferramentas absolutamente inter-relacionados: seu conhecimento, sua habilidade, o equipamento, os sistemas, as diversas fontes de informação, o contato com o controle de tráfego aéreo, a contribuição dos demais membros da tripulação, e fazer com que tudo convirja para um voo confortável e seguro.

ENTÃO, FAÇA SUA PRÓPRIA AUTOAVALIAÇÃO:

1 – Você é um colaborador com mentalidade interdependente? Sabe trabalhar em equipe, possui visão sistêmica, investe em networking, contribui, agrega, participa, sabe construir junto?

2 – Você é um líder dependente, independente ou interdependente? Sabe ouvir, incentiva a participação, reconhece o valor do outro, conecta as pessoas e os recursos, faz o todo ser maior que a soma das partes, pensa ganha/ganha?

3 – Sua empresa posiciona-se de forma a considerar a realidade interdependente do mercado e atuar em consonância com esta realidade?

4 – Possui planejamento estratégico construído com a equipe, debatido e conhecido por todos? Cuida de seu posicionamento?

5 – Respeita o concorrente? Negocia no quadrante ganha/ganha?

6 – Sua empresa é uma empresa cidadã? Respeita o meio ambiente? Busca ações sustentáveis?

Em 2019, desejo a você e à sua empresa voos tranquilos e bem-sucedidos em direção aos seus objetivos. E se vierem turbulências, que a determinação e a união de esforços recomponham a rota em direção ao sucesso.

César Tucci – Especialista em Desenvolvimento Humano, Palestrante, Educador e Coach. Autor do livro Faz Sentido Pra você?
contato@cesartucci.com.br

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