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O Modelo SCOR e suas implicações no processo logístico – Por: Pesquisador acadêmico em Logística e Supply Chain Management

Uma das propostas que favorecem para o gerenciamento da rotina do trabalho, sobretudo nas operações logísticas, é a padronização dos processos que consiste na “uniformização de materiais, itens, produtos, serviços, métodos, procedimentos, etc. pela adoção de métodos” (Bravo, 2007, p. 87). A padronização além de contribuir para a estabilização dos processos, visa assegurar o resultado das operações repetitivas que são críticas para atender as partes interessadas.

Para que a padronização seja implantada nos processos operacionais é fundamental estabelecer uma linguagem comum, tornando as atividades envolvidas mais simplificadas, evitando erros. E neste contexto uma das dificuldades existentes no processo logístico é a falta de uma linguagem padronizada sobre relacionado ao conceito da SCM (Supply Chain Management – Gestão da Cadeia de Suprimentos), uma vez que muitos conceitos estão sustentados por autores e profissionais de diversas áreas conforme evidenciado por Naslund & Willianson (2010). Muitas vezes o termo cadeia de suprimentos é interpretado por muitas pessoas como sinônimo de logística, compras ou operações (Lambert, 2008).

Essa falta de consenso proporciona dificuldades na gestão dos processos logísticos uma vez que as operações são complexas e as variáveis de controle precisam ser acompanhadas de forma mais criteriosa a fim de mensurar o desempenho de toda a cadeia operacional. Neste sentido, foi criado em 1996 nos Estados Unidos o SCC (Supply Chain Council – Conselho da Cadeia de Suprimentos), uma instituição sem fins lucrativos que desenvolve e mantém o Modelo SCOR (Supply Chain Operations Reference – Referência das Operações da Cadeia de Suprimentos) com o objetivo de documentar metodologicamente os processos críticos da cadeia de suprimentos (SCC, 2012).

As empresas associadas ao SCC discutem continuamente as tendências e as necessidades da cadeia de abastecimento, buscando retratar no modelo de referência de operações. No Brasil o SCC já conta com a associação de empresas nacionais e multinacionais, como a Embraer, Flexitronics, HP e Basf que já utilizam o modelo SCOR como orientador para a padronização do fornecimento da cadeia de abastecimento (Grandisoli, 2004).

O Modelo SCOR é considerado um modelo de referência que contribui para que as empresas possam modelar os processos existentes, avaliando sobretudo as melhores práticas e tendências (Bolstorff & Rosenbaum, 2003). De acordo com Kluyver & Pearce II (2011), para a disseminação do entendimento dos processos, o SCOR é o modelo mais adequado para a organização e padronização dos processos da cadeia de suprimentos. Pode-se resumir o modelo em 03 pilares: reengenharia dos processos do negócio (estado atual x estado futuro desejado), benchmarking (melhores práticas) e melhoria dos processos (adoção das melhores práticas de gestão conducentes a melhorias no desempenho).

O modelo de referência das operações na cadeia logística é usado para avaliação e comparação das atividades do SCM e seu desempenho através do fornecimento de uma estrutura que conecta processos de negócios, métricas, melhores práticas e tecnologia em uma estrutura unificada, permitindo a comunicação entre parceiros da cadeia de fornecimento, melhoria da eficiência do SCM e atividades relacionadas à melhoria de toda a cadeia da cadeia de suprimentos SCC (2012, como citado em Puffal & Kuhn, 2018, p. 148).

Um dos principais objetivos do Modelo SCOR é contribuir para que as organizações possam desenvolver melhorias em seus processos, a partir das 04 métricas a saber: desempenho, processos, práticas e pessoas.

Na proposta “Processo” visa descrever os processos de gerenciamento e interações entre eles. Em “Desempenho” observa-se a partir dos KPI’s (Key Performance Indicator – Indicadores chaves de desempenho) que essa proposta consiste no conjunto de métricas usadas para elaborar a estratégia organizacional bem como medir seu desempenho estratégico em relação à sua competitividade dentro do mercado. Na proposta “Boas Práticas” a estrutura oferece uma coletânea de boas práticas nos quais contribuem para a melhoria significativa dos processos e por fim em “Pessoas” identifica-se as competências necessárias para a execução dos processos. Ressalta-se que cada métrica é desmembrada em diversos níveis.

Na métrica dos processos tem-se os seguintes níveis: nível 1 (tipos de processo), nível 2 (categorias de processos) e nível 3 (decomposição dos processos). Em desempenho, tem-se os atributos de desempenho no qual envolve confiabilidade, rapidez, agilidade / flexibilidade, custos e ativos e para cada atributo possui os níveis de diagnóstico 1, 2 e 3. Na proposta das boas práticas o modelo desmembra em módulo 1 (melhoria geral da cadeia), módulo 2 (melhores práticas ambientais) e módulo 3 (melhores práticas na gestão de riscos) e por fim na métrica envolvendo pessoas contempla-se os elementos referetes a habilidade, experiência, aptidão e treinamento (SCC, 2012).

Avançando no estudo, pode-se observar na Figura 02, que o modelo SCOR ainda está organizado em cinco processos primários de gestão: planejamento, fornecimento, produção, entrega e retorno. Dessa forma o modelo pode abranger todas as operações logísticas envolvidas em uma organização, promovendo uma integração entre os setores envolvidos a partir de uma orientação padronizada.

Fonte: SCC (2012)

A figura 02 apresenta toda a estrutura do Modelo SCOR e os seus desdobramentos envolvendo a empresa em análise bem como fornecedores e clientes, sempre com o intuito de avaliar as etapas de abastecimento, execução, entrega e retorno. Vale ressaltar que o objetivo do modelo não é definir as ações de cada organização específica, mas sim oferecer apenas um padrão de orientações. Cabe a cada organização adaptá-lo à realidade do seu negócio, a fim de otimizar as suas operações logísticas.

Com o intuito de envolver áreas que não estavam envolvidas no SCOR o SCC desenvolveu alguns frameworks específicos, a partir do modelo SCOR, como por exemplo o DCOR (Design Chain Operations Reference – Design de produtos e processos) e o CCOR (Customer Chain Operations Reference – direcionado para vendas). Com este avanço, pode-se afirmar que o SCOR visa “propor uma métrica comum para avaliar o desempenho de diversos departamentos de uma organização, de modo a buscarem-se melhores oportunidades de mercado para o negócio global” SCC (2012, como citado em Bernardo, 2016, p. 83).

Como pode-se observar a discussão sobre o Modelo SCOR contempla níveis distintos e complexos. Esses níveis são considerados fundamentais para uma gestão eficaz dos processos logísticos envolvendo abastecimento, execução, entrega e retorno..

Referência básica

GRANDISOLI, Luiz Carlos. Série: SCOR – Modelo de Referência de Operações no gerenciamento da cadeia de abastecimento. Primeira e sétima parte: Colaboração na cadeia de abastecimento precisa de padrão? Avaliando o retorno de produtos. Revista: LOG & MAM (Logística, Movimentação e Armazenagem de Materiais). Ano XXVI. Número 161; 167 P. 18 – 19. 32 – 34. Março e Setembro de 2004. Instituto IMAM – Instituto de Movimentação e Armazenagem de Materiais ou Inovação e Melhoramento na Administração Moderna. São Paulo.

Adm. Gilvam Vieira da Silva – Registrado no Conselho Regional de Administração da Paraíba (CRA –PB) sob o número 1- 5243 , Especialista em Metodologia do Ensino Superior. Com mais de 20 anos de experiência como Pesquisador acadêmico em Logística e Supply Chain Management admgilvan@yahoo.com.br

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